Resumo
Em verde viçoso, o musgo na calçada ladrilhada era um mosaico vivo, exposto às solas de uma gente fria que passava indiferente. Fiz a foto. Mas antes de publicar, questionei por email o amigo e poeta Antonio Rezende: “E então, camarada... dá pra viajar na poesia da foto que te mando agora?” A resposta veio sem demora, nos versos que reproduzo a seguir:
não vi a pequena folha amarela
bailar no ar desde a copa alta
até o pouso leve na úmida calçada
mas colho poesia na essência dela
cismando que ainda nos falta
muito para convencer a “manada”
imagino com quanta lixa de salto
de passante medonho e atordoado
gastou-se a superfície do chão ladrilhado
e quantos não notaram (mesmo do alto)
este mosaico frágil e, sobretudo,
avesso a tanto rosto mudo
no rés-do-chão de uma simples fachada
quanta lição natural desperdiçada!
é mesmo devagar que o musgo medra
enfeitando as brechas do ladrilho
num segredo de entranha de pedra
eternizado por teu olhar de andarilho
não vi a pequena folha amarela
bailar no ar desde a copa alta
até o pouso leve na úmida calçada
mas colho poesia na essência dela
cismando que ainda nos falta
muito para convencer a “manada”
imagino com quanta lixa de salto
de passante medonho e atordoado
gastou-se a superfície do chão ladrilhado
e quantos não notaram (mesmo do alto)
este mosaico frágil e, sobretudo,
avesso a tanto rosto mudo
no rés-do-chão de uma simples fachada
quanta lição natural desperdiçada!
é mesmo devagar que o musgo medra
enfeitando as brechas do ladrilho
num segredo de entranha de pedra
eternizado por teu olhar de andarilho





