Fotografia online
Eu vejo os homens que cantam
Vejo também os que com eles, também cantam e dançam.
Observo a arte dos que pintam, esculpem, escrevem e encenam
A alma dos que contam estória - ficção-
Dos que falam, vejo seus pensamentos, das atitudes; as intenções
Vejo o tempo que transita entre aqueles que param, e os que apenas observam
Vejo mudanças, marasmos e estagnações, vejo épocas e revoluções sociais
Vozes que esbravejam e não alcançam a consciência dos cegos de alma
Vejo a liberdade que encarcera os livres em seus pensamentos e devaneios.
Expressões que revelam a dor, alegria, felicidade; desavergonhadamente.
Prevejo o passe perfeito, precipito o grito miserável do gol.
Ouço as promessas, as falsas promessas; vejo a esperança que se esvai dos pobres meninos que escalam escadas de pedra.
Nas atitudes dos que incameram aos domingos, vejo os que encenam e acenam.
O messianismo efêmero; êxodo de Garanhuns
No poder, a fraqueza da ganância, a mesquinhez da oferta e a força das palavras.
Seus seguidores, seus falsos sorrisos, vejo a prosperidade emergente à custa da fé.
Ouço o grito dos inocentes, gargalhadas dos culpados, vejo a injustiça cega.
Vejo a facilitação, a obstrução, a nobreza, o cárcere teatral dos donatários das leis dos pobres.
O espetáculo da nobreza apaidaguada, rebento dos inelegíveis.
Vejo guerras, e nas guerras a maquiagem da paz.
Vejo sim; claro que vejo a qualidade, em contraste com os desajustados.
Vejo homens e “Homens”, povos e cidadãos, mendigos e personalidades.
Jovens e idosos, ideologias e demagogias, atitudes e desates
Vejo a luz, ouço click, registro a esperança de mudanças através de minhas lentes; desaturdir com informação.
Vejo que posso informar dar opção de escolha, argumento para reflexão, o contraditório.
Sou jornalista; foto jornalista, não trago tendências; trago informação, minha sina é mostrar a cidade nua.
Cláudio Goncalvess